Maurício já havia sido visitado por navios árabes na Idade Média e navios portugueses entre 1507 e 1513, mas não foi colonizado por nenhum dos dois. Não há registros conhecidos de dodôs por estes visitantes, embora o nome português para Maurício, "Ilha Cerne (cisne)", pode ter sido uma referência aos dodôs. O Império holandês adquiriu Maurício em 1598, renomeando-o em homenagem a Maurício de Nassau, e foi utilizado para o abastecimento de navios comerciais da Companhia Holandesa das Índias Orientais daí em diante. Os relatos mais antigos conhecidos do dodô foram fornecidos por viajantes holandeses durante a Segunda Expedição Holandesa à Indonésia, liderada pelo almirante Jacob van Neck em 1598. Eles aparecem em relatórios publicados em 1601, que também contêm a primeira ilustração publicada da ave. Uma vez que os primeiros marinheiros a visitarem Maurício estavam no mar por um longo tempo, o seu interesse por estas aves de grande porte foi principalmente culinário. A revista de 1602 por Willem Van West-Zanen do navio Bruin-Vis menciona que 24 a 25 dodôs foram caçados para servir de alimento, os quais eram tão grandes que dois dificilmente poderiam ser consumido na hora das refeições, os seus restos sendo preservado por salga. Uma ilustração feita para a versão publicada 1648 desta revista, que mostra a morte de dodôs, um dugongo, e, possivelmente, um papagaio-cinzento-de-maurício, a legenda era com um poema holandês, aqui em 1848 a tradução de Hugh Strickland:
Alguns dos primeiros viajantes acharam o sabor da carne do dodô desagradável, e preferiram comer papagaios e pombos, já outros a descreveram como dura, mas boa. Alguns dodôs foram caçados apenas pela sua moela, considerada a parte mais deliciosa da ave. Eles eram fáceis de pegar, mas os caçadores tinham que ter cuidado para não serem mordidos por seus bicos poderosos.
A semelhança do dodô com o red rail levou Peter Mundy a especular, 230 anos antes da teoria da evolução de Charles Darwin:
Esse pássaro simpático e gorducho desapareceu no século 17 com a chegada dos colonizadores ao seu hábitat, a ilha Maurício, a 1 900 quilômetros da costa africana, no oceano Índico. Pouco maior que um peru e pesando cerca de 23 quilos, o dodô era um pombo gigante da família Raphidae. Como tinha asas curtas e frágeis, não conseguia voar. Nem precisava. "A ave era muito mansa e inofensiva, porque a ilha não tinha nenhum mamífero predador", afirma o biólogo Manuel Martins, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). A vida boa do bicho durou só até os europeus aportarem em Maurício. Primeiro foram os portugueses, em 1507. Mas a ação mais cruel foi a dos holandeses, que colonizaram o lugar a partir de 1598. Com a pouca alimentação nos navios, os marinheiros desembarcavam famintos e logo elegeram o dócil - e saboroso - dodô como seu prato preferido. "As aves foram mortas aos milhares, até mesmo a pauladas", diz Manuel.
Para piorar, animais como cães, gatos e ratos trazidos pelas caravelas atacavam os ovos nos ninhos, escondidos nos recantos do lugar. Com toda a matança, a espécie foi sumindo aos poucos. Em 1681, menos de 100 anos depois da chegada dos holandeses à ilha, o dodô foi declarado oficialmente extinto. Hoje, tudo o que resta do animal são esqueletos em museus na Europa, nos Estados Unidos e também em Maurício.
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